Crítica - A Invenção de Hugo Cabret
(Hugo, 2011)
Com: Asa Butterfield, Jude Law, Ben Kingsley, Chloe Moretz, Sacha Baron Carter, Edmund Kingsley, Richard Griffiths, Christopher Lee.
Direção: Martin Scorsese.
Não é apenas O Artista que faz homenagem ao passado cinematográfico nesta corrida ao Oscar. Martin Scorsese traz em seu primeiro filme infantil e com uso de 3D, uma bela homenagem ao cinema e a seus realizadores assim como a magia de se assistir filmes.
Um apaixonado assumido pelo cinema, Scorsese não desperdiça a chance de louvar todo o encanto produzido pela sétima arte e o quanto ela afeta de alguma forma a vida de muitas pessoas. Mais especificamente, o filme centraliza esta homenagem na figura de Georges Méliès, um dos “pais” dos filmes de efeitos visuais, e pioneiro em várias aspectos técnicos, sempre utilizando inovadores recursos para criar mundos fantásticos que seriam levados às telas (seu filme mais famoso é Viagem à Lua, de 1902).
A história foi retirada de um livro infantil e não foge muito do previsível ao utilizar alguns clichês típicos dos filmes infantis, mostrando um órfão (o bom Asa Butterfield) que vive em uma estação de trem em Paris, que após consertar um boneco deixado por seu pai entra em uma aventura com muitas surpresas. É preciso se deixar levar nesta visão infantil, já que o garoto acompanha tudo encondido nos relógios da estação.
Scorsese novamente se une a uma excelente direção de arte, criando um mundo cheio de detalhes, meio fantasioso e estilizado, conseguindo atingir seus objetivos; é até curioso o uso de tanta tecnologia para reverenciar o passado. Como de costume nos filmes de Scorsese, tudo é muito bem cuidado e de bom gosto. Há bons nomes no elenco coadjuvante, mesmo que alguns tenham passagens rápidas pelo filme, como o mestre Christopher Lee, mas são papéis com relevâncias.
O filme só peca em algumas escolhas de roteiro e estrutura narrativa. Começa aborrecido, com uma primeira parte desinteressante, e se perde em alguns momentos que soam dispensáveis, como nas várias cenas com o inspetor da estação (Sacha Baron Cohen, em um perosonagem não muito engraçado) que persegue o garoto, e em pequenas tramas paralelas que não acrescentam muito. A verdade é que quando está sendo um filme “infantil” ele não conquista muito, porém cresce absurdamente quando entra no assunto da história do cinema, tornando-se um deleite para os fãs da arte com inúmeras referências espalhadas a todo momento (com certeza perdi muitas ainda). As sequências recriando as primeiras exibições dos filmes, assim como as reações de um público maravilhado por algo tão fantástico e inédito, são de emocionar qualquer cinéfilo. E Scorsese transmite uma sincera paixão pelo assunto ao espectador. São momentos como esses, realmente encantadores, que compensam a fraqueza da história central.
O filme ainda conta com uma bela direção, muito lirismo e nostalgia. Uma fábula que provavelmente acertará mais os cinéfilos que as crianças.


Nenhum comentário:
Postar um comentário