quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret


Crítica  - A Invenção de Hugo Cabret

(Hugo, 2011)

Com: Asa Butterfield, Jude Law, Ben Kingsley, Chloe Moretz, Sacha Baron Carter, Edmund Kingsley, Richard Griffiths, Christopher Lee.

Direção: Martin Scorsese.




Não é apenas O Artista que faz homenagem ao passado cinematográfico nesta corrida ao Oscar. Martin Scorsese traz em seu primeiro filme infantil e com uso de 3D, uma bela homenagem ao cinema e a seus realizadores assim como a magia de se assistir filmes.
Um apaixonado assumido pelo cinema, Scorsese não desperdiça a chance de louvar todo o encanto produzido pela sétima arte e o quanto ela afeta de alguma forma a vida de muitas pessoas. Mais especificamente, o filme centraliza esta homenagem na figura de Georges Méliès, um dos “pais” dos filmes de efeitos visuais, e pioneiro em várias aspectos técnicos, sempre utilizando inovadores recursos para criar mundos fantásticos que seriam levados às telas (seu filme mais famoso é Viagem à Lua, de 1902).
A história foi retirada de um livro infantil e não foge muito do previsível ao utilizar alguns clichês típicos dos filmes infantis, mostrando um órfão (o bom Asa Butterfield) que vive em uma estação de trem em Paris, que após consertar um boneco deixado por seu pai entra em uma aventura com muitas surpresas. É preciso se deixar levar nesta visão infantil, já que o garoto acompanha tudo encondido nos relógios da estação.
Scorsese novamente se une a uma excelente direção de arte, criando um mundo cheio de detalhes, meio fantasioso e estilizado, conseguindo atingir seus objetivos; é até curioso o uso de tanta tecnologia para reverenciar o passado. Como de costume nos filmes de Scorsese, tudo é muito bem cuidado e de bom gosto. Há bons nomes no elenco coadjuvante, mesmo que alguns tenham passagens rápidas pelo filme, como o mestre Christopher Lee, mas são papéis com relevâncias.
O filme só peca em algumas escolhas de roteiro e estrutura narrativa. Começa aborrecido, com uma primeira parte desinteressante, e se perde em alguns momentos que soam dispensáveis, como nas várias cenas com o inspetor da estação (Sacha Baron Cohen, em um perosonagem não muito engraçado) que persegue o garoto, e em pequenas tramas paralelas que não acrescentam muito. A verdade é que quando está sendo um filme “infantil” ele não conquista muito, porém cresce absurdamente quando entra no assunto da história do cinema, tornando-se um deleite para os fãs da arte com inúmeras referências espalhadas a todo momento (com certeza perdi muitas ainda). As sequências recriando as primeiras exibições dos filmes, assim como as reações de um público maravilhado por algo tão fantástico e inédito, são de emocionar qualquer cinéfilo. E Scorsese transmite uma sincera paixão pelo assunto ao espectador. São momentos como esses, realmente encantadores, que compensam a fraqueza da história central.
O filme ainda conta com uma bela direção, muito lirismo e nostalgia. Uma fábula que provavelmente acertará mais os cinéfilos que as crianças.



sábado, 28 de abril de 2012

À TODA PROVA

Crítica - À TODA PROVA

(Haywire, 2011)

ComGina Carano, Michael Angarano, Channing Tatum, Debby Lynn Ross, Michael Douglas, Michael Fassbender, Antonio Banderas, Ewan McGregor, Julian Alcaraz, Eddie J. Fernandez, Lluís Botella Pont.

Direção: Steven Soderbergh.



Depois do fiasco que foi "Contágio", o superestimado Steven Soderbergh novamente traz um monte de nomes famosos perdendo tempo em um filme sem importância e cujo elenco parece só estar ali para enfeite. O elenco com os nomes atrativos como Michael Fassbender, Michael Douglas, Ewan McGregor, Antonio Banderas, entre outros, é totalmente desperdiçado em cenas tolas e fazendo personagens irritantemente superficiais, dando a sensação de que realmente passaram por ali nas horas das filmagens, recitaram seus diálogos e foram embora, tudo na base da amizade, e para teoricamente acrescentar mais valor com seus nomes de peso em um filme que não tem o que oferecer. 
Mas o foco do filme está na na personagem principal, interpretada por Gina Carano, uma lutadora de MMA que ganha a chance de mostrar seus dotes como atriz. E curiosamente, ela até se sai bem, não que demoste algum talento dramático, mas sua presença forte se mostra bastante adequada ao tipo de filme e convencimento nas cenas de ação, que neste caso é o que importa. 

A história é a mais manjada possível, sobre uma agente do governo que é traída, escapa de uma armadilha e parte para vingança, e lembra muito qualquer filme do tipo (como "Salt",com Angelina Jolie). Pistas lançadas aos poucos e flashbacks mal conduzidos não ajudam a disfarçar o roteiro genérico e batido. Soderbergh deixa evidente que o filme é apenas entretenimento, e parece querer homenagear o estilo de filmes de ação de antigamente, mas frustra por nunca empolgar ou chamar a atenção. As cenas de pancadarias são até boas, com socos e chutes mais realistas e sem os exageros típicos do cinema atual, mas é pouco para elevar o filme, que parece ter certa dificuldade para engrenar e o final sem graça só faz piorar o conjunto. "À Toda Prova" (típico título nacional preguiçoso) é no máximo uma fitinha de ação barata, daquelas que tem aos montes por aí, e não dá pra exigir mais que isso, com a diferença de astros fazendo participações...esperemos que mais para frente Soderbergh pare de se apoiar em nomes de famosos e volte a se preocupar em fazer realmente um filme bom. 


A PERSEGUIÇÃO

Crítica - A PERSEGUIÇÃO

(The Grey, 2012)

Com: Liam Neeson, Dermot Mulroney, James  Badge Dale, 
Frank Grillo, Nonso Anozie, Dallas Roberts, Larissa Stadinnichuk, Ben Bray.

Direção: Joe Carnahan



Depois do aceleradíssimo "Esquadrão Classe A", Joe Carnahan pisa (mas nem tanto) no freio e entrega um filme mais intimista, com a velha temática do homem em situação extrema utilizando de seu instinto primitivo para sobreviver em um ambiente selvagem. 

Em "A Perseguição" (título nacional sinceramente, bem sem noção), um grupo de trabalhadores de uma região gelada pega um avião para sair dali, mas ocorre um acidente e o avião cai em algum ponto do Alasca, no meio da neve. Os poucos sobreviventes logo percebem que dificilmente serão encontrados (e se forem) com vida. O que já parecia uma situação trágica torna-se ainda pior quando descobrem que estão localizados numa área dominada por lobos, que estão doidos para transformar todos em comida. Porém, um dos sobreviventes (Liam Neeson, cada vez mais confirmando ser um atual astro de ação) é literalmente um matador profissional de lobos, e assim a esperança para todos. 

O longa segue as fórmulas do estilo "filmes de sobrevivência": os sobreviventes brigam, unem-se, revelam um pouco de seus passados e procuram ficar vivos a qualquer custo. Liam Neeson com sua voz imponente e firme convicção (mesmo fazendo um personagem bastante depressivo), sempre se sai bem neste tipo de filme, mas o resto do elenco não chama muito a atenção. Como de costume nesses filmes, a paisagem gelada rende belas imagens e nos passa a sensação de frio terrível. É perceptível que o filme não tem uma grande produção (ao menos para os padrões de filmes desta linha), mas ele se sai bem com o mínimo de recurso. A cena do desastre do avião, por exemplo, é muito boa e sem exageros. Os lobos não aparecem de forma muito explícita, mas neste caso vira até uma vantagem, ampliando o suspense do filme. Aliás, o filme capricha nos efeitos sonoros, enfatizando os uivos e barulhos dos bichos, procure assistir ao filme com um bom áudio, pois assim os ataques ficarão mais marcantes. 

Um ponto fraco do filme é uma certa indefinição em se assumir como um filme de aventura ou algo mais pretensioso, já que arrisca com alguns momentos existencialistas (como quando lida com questões envolvendo a fé) e outros dramáticos que não se mostram tão eficientes quanto nas situações de adrenalina, e acabam prejudicando o bom ritmo que o filme vinha tendo em sua primeira metade. O final aberto (que anda ficando bem comum recentemente) poderá não agradar muitas pessoas, mas achei coerente com o filme (mas há uma cena muito rápida após os créditos que dá margens há mais interpretações). 

Enfim, "A Perseguição" é um filme redondinho que vale uma conferida nem que seja para se passar o tempo. Talvez não impressione por tratar de um tema já muito batido, e, embora perca o ritmo em um momento ou outro, funciona bem como entretenimento sem maiores ambições.